sábado, 30 de abril de 2011

Não sei se devo tentar entender.
Estranhos caminhos que a vida tenta em me oferecer.
Sei que as coisas tem ficado bizarras demais por aqui.
Outra noite ele se apresentou, assim como ele se apresenta, só naquelas situações especiais, quando estamos todos reunidos e eu realmente não precisava ter um rei ao meu lado, ou precisava, e ele se apresenta e veste a sua coroa. Não deixa nenhum outro mortal se aproximar de mim, apenas ele, ele e eu, no meio de todos os súditos. Ele procura não ofuscar o meu brilho, ele procura não sangrar em mim. Nem uma gota. Eu fico ali sedenta esperando seus momentos de fraqueza, louca para atacar. Querendo pegar o circo todo, só pra mim. Mas não. Eu deixo ele estar. Assim como estamos. Ele vela meu sono, me entrega à Morfeu. E logo depois parte embora. E eu fico sem saber, até quando. Logo outros aparecerem. Todos amaldiçoados por ele. Não podem sangrar em mim. Ninguém pode sangrar em mim. E eu fico ali sedenta esperando o momento de fraqueza para arrancar suas entranhas. Quero seus testículos em uma bandeja rapaz. E sei que ainda os terei. E quando esse diga chegar tarde demais será para suplicar por perdão. Eu conto a cada conto e digo por cada canto. Sei que vou receber tudo de volta e com juros. Eu estou partindo agora. Não pretendo voltar. Vou para onde vocês não podem me seguir. Podem ficar com tudo. Com todas as mentiras suadas que inventei para cada um. Levo minha aliança. Aquela, daquele que um dia ousou me desposar. Não escutarei mais passos pela areia. Não escutarei mais lamúrias dos tempos que não devem voltar mais. Por favor. Não dirijas a palavra àmim. Me ignore como sempre. Pense que é só mais uma noite, daquelas em que nos separamos em caminhos opostos. E não tenha a audácia de me seguir. Cansada, simplesmente cansada.
Vou cair no meu leito. E espero sangrar um pouco. Quero carne nova. Quero amor puro. Eu me rendo. Larguei minhas armas por aí. Se encontrares não me devolva, me deixa estar. Só tenho que seguir em frente, e dessa vez, acompanhada por alguém.
E foda-se.
Foda-se tu, foda-se eu, fodamo-nos todos.

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