segunda-feira, 23 de agosto de 2010

são apenas palavras
que já nascem com o direito de brincar
não tem dono, não tem destino
só o meu prazer de sonhar

mas eu espero
eu espero
e espero
que um dia, noite, tarde
talvez...
ou não
apareça alguém digno de merecer
cada versinho tosco
que nessa minha curta vidinha
eu já escrevi

não se deve dar aos outros
aquilo que se é tão seu
pelo menos não eu
lavo as mãos
visto as botas de joe cocker
lavo as mãos novamente
coloco meu colete prateado
visto as mãos
e me liberto ao vento
não me interessa teus ressentimentos
afio minha faca
e saio para a guerra
É quase como assim, nascemos e aprendemos a andar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

é grande poeta

sempre tem razão

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.


saravá irmão!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

fênix

era uma vez (once upon a time, a little girl...) aquela menina que se desfazia e fazia a cada minuto, mal ela sabia como conseguiria viver dessa maneira pois tudo lhe parecia tão instável. com o passar do tempo desenvolveu habilidades, sabia como cantar e encantar, era uma verdadeira musa, nascida para inspirar os outros e contar estórias maravilhosas de um tempo que não conhece.
poor little girl, she just served to inspire the mans, e assim sendo eles usavam ela e retiravam tudo que podiam daquela alma doce e iluminada para compor seus versos mil. nunca lhe deram de volta, nem amor, nem dinheiro muito menos comida. e assim ela ia morrendo aos poucos, de verso em verso, sufocada pelas palavras que lhe vestiam.
então ela relembrou seus tempos de instabilidade e desenvolveu a incrível habilidade de morrer e renascer a cada lua. só assim ela conseguiria sobreviver aos vampiros que lhe sugavam.
os anos passaram, ela teve muitos homens e se tornou mulher, cansada e rebatida morria e nascia de tantos em tantos meses.
seu sorriso e sua graça começam a se apagar, e ela se pergunta, quanto tempo será que falta, para que a morte venha e não tenha mais que renascer.
poor little girl, ela continua e nua vai, de porta em porta levando amor aos corações que não sabem amar, e ao seu coração só sabem matar.